Mundo Corporativo: Um Guia de Sobrevivência

Este artigo originariamente foi escrito pelos Termos Reais em inglês. Após pedidos da finansfera para escrever em português, e levando em conta que posts artigos foram escritos na língua inglesa, periodicamente vou traduzir artigos para a comunidade. Se você prefere a versão inglesa, basta clicar aqui.

Sem título

O mundo corporativo não é muito diferente do mundo político. Aqueles que se deixam levar pelos sentimentos serão facilmente superados por aqueles que pensam racionalmente. Não há saída: ou você mexe a peça no tabuleiro ou mexem você. Não há espaços para ‘meio jogadores’, assim como não existe aquela história de ‘meia gravidez’. Ou é ou não é.

Algumas profissões são mais exigentes do que outras. Algumas empresas são mais exigentes do que outras. No entanto, existe uma regra universal: se vale a pena, há competição. Se o nicho que você escolheu não apresenta competição, dê um passo atrás e repense. Talvez você tenha errado o caminho.

Algumas pessoas convivem bem com a concorrência. Outros entram em paranoia. Existem aqueles que entram em depressão. Também existem os que usam drogas para mascarar a realidade. O caminho mais resiliente no longo prazo não está em nenhuma dessas opções. Elas podem te levar a uma ruína mental, física e financeira.

Embora a mídia e o sistema de ensino digam que a sociedade é uma união de pessoas em busca de um objetivo maior, a realidade é muito diferente. Uma visão racional do mundo apresenta a realidade de forma clara.

O Guia

Um trabalho em escritório não é o que você espera quando está no ensino médio/ faculdade. Ninguém espera sentar em um cubículo, fazendo relatórios ou planilhas o dia todo e depois de 8 a 12 horas retornar para casa em transporte público. Mas esse é o destino da maioria ABSOLUTA dos estudantes. São poucos aqueles que realmente apreciarão as maravilhas que o mundo tem para oferecer.

House Of Cards não existe apenas na Netflix. É um grande golpe no estômago. Mas cedo ou tarde, ele virá. O mundo teórico ensinado no ensino médio e faculdade é diferente do mundo real. Além das fantasias, há uma completa ausência de preparação  destas instituições de ensino para a realidade corporativa que aguarda os estudantes. Competição, armadilhas, fraudes, jogos, manipulações, crimes, sabotagens, traições. Nada disto é ensinado no sistema de ensino tradicional. O jovem precisa saber de três coisas em relação a isto: a) isto existe b) é usado constantemente por quem quer chegar no topo c) você deve saber como fazer para se proteger.

Nunca ame a sua empresa porque você não sabe quando sua empresa vai parar de amar você. A sua empresa empregadora não é SUA empresa.  Você não é dono dela. Então, nunca dê por garantida sua posição. Com exceção do dono, todos são substituíveis. TODOS. A única opção para evitar tal risco de demissão é possuir o próprio negócio. Você enfrentará o risco de mercado, o risco do segmento, o risco dos concorrentes, o risco de inadimplência do consumidor, o risco do governo. Mas você não enfrentará o risco de desemprego.

Ninguém se preocupa com você, sua família ou seus objetivos. As preocupações das pessoas são exclusivamente pessoais. Quando eles se importam com outras pessoas, é porque isso é relevante para eles e não porque eles realmente estão preocupados com seus pares. Ninguém vai realmente lutar pelos seus sonhos. Sua empresa não está preocupada com sua liberdade financeira, sua saúde mental ou seus desejos pessoais. Eles só precisam parecer que estão, num jogo hipócrita de bem estar. Mas isso não passa de uma miragem aos mais desavisados. Os empregados são apenas uma parte da engrenagem  e que se começarem a ficar muito caros serão facilmente substituídos.

As pessoas entram em sua vida porque precisam de você, e eventualmente vão deixá-lo. As pessoas vêm até você porque precisam de algo. Talvez seja contato profissional, talvez seja uma manobra política, talvez seja exploração ou talvez seja desejo sexual. Existem várias hipóteses. Mas a essência é a mesma: ninguém se aproxima de outra pessoa sem nenhum interesse. Se você olhar para o mundo desse jeito, serão abertas muitas portas, pois você estará na frente de 99% da população. Todos dentro de uma empresa têm o mesmo objetivo: ganhar mais prestígio, poder e dinheiro. Isso põe fim a qualquer ingenuidade em seu pensamento.

95% das reuniões são uma tremenda perda de tempo. Elas servem apenas para um cenário político fantasioso. Começam do nada e não chegam a lugar nenhum. Na verdade, 2 ou 3 funcionários farão todo o projeto e quem levará a glória será um gerente e alguns de seus colegas mais próximos. Por acaso você conhece os nomes dos escravos que construíram as pirâmides do Egito? Pois é…

Quando você sente que é mais inteligente do que seu chefe, você deve considerar mudar seu emprego. Seu chefe não é necessariamente mais inteligente do que você. A propósito, a experiência nos mostra que há muitos funcionários infinitamente mais talentosos do que seus chefes, mas que, na prática, são apenas explorados por eles. Não há segredo, se você perceber que você é mais talentoso do que seus superiores, você pode estar perdendo seu bem mais precioso: TEMPO.

Você crescerá muito mais rápido trabalhando UM DIA para você do que UM MÊS para outra pessoa. Este é um caminho sem volta. São raros os casos em que os empresários voltam a ser empregados. É difícil voltar a comer sorvete de palito após um Häagen-Dazs. Além do crescimento pessoal ser exponencialmente maior, a recompensa financeira também é. Definitivamente, não há como se enriquecer trabalhando para outra pessoa.

Conclusões

i. O mundo corporativo é repleto de diferentes personalidades: competitivo, territorial, temperamental, paranoico, defensivo, etc. Portanto analise o ambiente em que está inserido.

ii. A caminhada até o topo do mundo corporativo não é muito diferente do mundo político. Até mesmo as entrelinhas sutis de e-mails são armas: o modo de escrita, pontuação, destaques, paragrafação… Leia as entrelinhas no comportamento de seus colegas para verificar a real intenção deles.

iii. Todo mundo quer demonstrar que é superior em algum aspecto: inteligência, aparência, conquistas, dinheiro, etc. É pura concorrência. Estude jogos que valem a pena jogar e participe apenas daqueles que convergem com seus objetivos de longo prazo.

iv. A experiência mostra que apenas 5-10% dos funcionários são definitivamente úteis. A grande maioria varia na escala que vai de um completo sanguessuga até um empregado meia boca. No entanto, se você estiver dentro dos 5-10%, pense seriamente sobre em ter seu próprio negócio.

v. Quem realmente faz a empresa acontecer é um funcionário com este perfil: empilhado de trabalho, estressado, visivelmente doente, sem habilidade social/política suficiente e mal pago. Se você se encaixa aqui, pelo menos você já conhece o seu papel na empresa e como eles te vêem.

vi. A maioria absoluta da vida corporativa é resumida em: longas horas de trabalho mal pago, muitas tarefas administrativas, muito tempo desperdiçado em reuniões inúteis, planilhas e powerpoints, vivendo com pessoas que você não gostaria de conviver e uma competição feroz por dinheiro e status.

21 thoughts to “Mundo Corporativo: Um Guia de Sobrevivência”

  1. Esse post é sem dúvida, o que tenho mais dificuldade de digerir.

    “Nunca ame a sua empresa porque você não sabe quando sua empresa vai parar de amar você”

    Abri mão da liberdade de trabalhar por conta própria meses atrás para ficar “fixo” em um cliente, e tenho questionado essa decisão quase todo dia.

    Eles não descansam até tirarem de você sua última gota de sangue. Bom pra quem? A grana pode até enganar por um tempo, mas a realidade sempre emerge. Uma vez acordado, é impossível fechar os olhos novamente.

    Como sempre, obrigado pelo bom conteúdo. Abs.

    1. “Eles não descansam até tirarem de você sua última gota de sangue.” Se for para exaurir todas as energias até o ponto de esgotamento, que seja visando o interesse próprio. Sempre se lembre que seu ativo mais precioso é o tempo.

      E pode ter certeza que a grana que eles te pagam é muito inferior ao que realmente vale o seu trabalho. No fim das contas, o maior risco é ser dependente da vontade de terceiros.

      Abs

  2. Excelente post TR,

    Isso que você falou no texto aconteceu e acontece comigo.
    Reuniões inúteis (essas eu já estou me livrando delas).
    Na maioria das vezes o chefe é menos inteligente, raramente tive um chefe bom o bastante.
    Nunca levei uma empresa como estimação. Esse é o erro das pessoas. Muitas choram quando são demitidas. Acho isso estranho.

    Abraços.

    1. Obrigado pelo elogio Cowboy. Em relação a ter empresas de estimação, é reflexo de uma cultura implementada no início do século XX. Era comum ver pessoas iniciarem na empresa com 14 anos como auxiliar de alguém. Posteriormente elas subiam de cargos sem a necessidade de mestrados, doutorados e afins, culminando com décadas de trabalho para a empresa.

      Hoje isso não existe mais. E tem pessoas que não percebem que o dono da empresa não é efetivamente um amigo delas. Se um funcionário estiver disposto a ganhar menos e fazer mais do que você, a ‘amizade’ acaba num passe de mágica.

      Abs

  3. Este para mim é o mais verdadeiro de todos: “As pessoas entram em sua vida porque precisam de você, e eventualmente vão deixá-lo.”

    Totalmente verdade. Tudo há um jogo de interesses, às vezes menos, às vezes mais. Talvez a menor exceção seja seus pais e olhe lá. Abraço

    1. Concordo plenamente com você. Inclusive suas crônicas da vida real – das quais eu sou fã – sempre apresentam implicitamente nos personagem retratados esta lei imutável dos seres humanos: o interesse próprio.

      Abs!

  4. Fala TR! Excelente post meu amigo!

    Vai muito de encontro com o que penso. Sempre falo a sra Inglês sobre essas questões, pois ela se envolve demais com a empresa. Sempre falo – Empresa não tem coração mulé! Acorda! rsrs

    Eu acrescentaria neste ponto “A maioria absoluta da vida corporativa é resumida em: longas horas de trabalho mal pago, muitas tarefas administrativas, muito tempo desperdiçado em reuniões inúteis, planilhas e powerpoints, vivendo com pessoas que você não gostaria de conviver e uma competição feroz por dinheiro e status.” as festas que por vezes somos quase intimados a comparecer… Ainda bem que por aqui deu uma parada com isso… Mas que é triste é…

    Abraços

    1. Primeiramente obrigado pelo elogio, Investidor Inglês.

      As empresas enxergam os funcionários apenas como uma peça que tem um certo custo. Se eles encontrarem uma peça que dê mais resultados e custe menos, não vão hesitar em trocar. É uma visão realista e desencantadora, mas é uma pílula amarga que você engole e só apresenta benefícios no longo prazo. A visão de mundo fica mais clara quando você o enxerga pelo o que ele realmente é.

      Em relação às festas das empresas, são apenas momentos em que os donos fingem preocupação com as castas inferiores; onde os diretores fingem mostrar skills e bens materiais que não têm; onde os gerentes atuam como verdadeiros personagens fingindo uma motivação mentirosa; e onde os funcionários só querem esperar o primeiro ir embora para aproveitar a deixa e se reunir com os amigos de verdade.

      Abs!

  5. Por tudo isso, eu larguei o mundo corporativo e fui para o mundo acadêmico (sou Professor), depois disso tive um salto na qualidade de vida, ainda assim há muito do corporativo, mas bem menos !!

    1. É impossível escapar do mundo corporativo, exceto quando você é dono do negócio. Aí os seus riscos são diferentes: concorrência, governo, etc. Abs Stifler!

  6. TR,

    Você errou no cálculo do porcentagem das reuniões. Considero 99% das reuniões uma perda de tempo. As únicas reuniões que não são perda de tempo são as que eu solicito 😀

    Abraço brow!

    1. Antigamente a porcentagem de reuniões improdutivas era 99%. Depois que passei a frequentar as reuniões que você me convida, o número caiu 😀

      Abraçao BPM!

  7. Por isso não trabalho mais para os outros. Hoje as minhas preocupações são outras. Vivo com bem menos “segurança”, porém a qualidade de vida não se compara!

  8. Excelente conteúdo, TR!
    Lembrei-me de uma frase dita por um amigo: “empresa não tem coração”.
    Seu blog é uma grande preciosidade na blogosfera. Sempre artigos de qualidade altíssima.
    Forte abraço!

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