Anti Frágil – Versão Brasil: O Que Você Deve Aprender de Uma Vez Por Todas

 

Ao acompanhar esta greve dos caminhoneiros, não me restringi apenas as notícias de escassez sobre combustíveis, alimentos perecíveis sendo jogados no lixo, promessas de subsídios para cá e para lá e um stress sem tamanho para a população que começa a ficar desabastecida.

 

A greve dos caminhoneiros apresenta uma lição implícita para aquelas pessoas que não gastam o seu dinheiro hoje em troca de um futuro melhor. Aquelas pessoas que evitam o prazer imediato em busca de um prazer de longo prazo. Os investidores brasileiros – espécie extremamente rara (em extinção, eu diria).

 

Entra crise e sai crise, e os  (poucos investidores) brasileiros permanecem com o pensamento de colocar todos os ovos em uma cesta. Mesmo com todas as dificuldades em realizar uma taxa de poupança, em um país com histórico de inflação e peripécias governamentais econômicas sem precedentes, temos aquela nata da população que consegue ser superavitária e investir.

 

Mas, mesmo com todo este esforço em buscar ser diferente do resto das massas, vejo que ainda existe um ponto chave que é esquecido. Nos EUA, na Europa e na Ásia, os investidores ainda permanecem com a maioria dos seus investimentos de forma caseira, ou seja, a maior parte está alocado em empresas e títulos de dívida regionais. No entanto, já existem indícios fortes de grau de diversificação internacional. Coisa que ainda não acontece no nosso país.

 

“-Ah, mas eu diversifico em renda fixa e renda variável.” Ok, você já tem um grau de diversificação. Isso é um ótimo começo. Mas ainda considero que todos os ovos estão dentro da mesma cesta, chamada República Federativa do Brasil: berço esplendido da desvalorização cambial e inflação descontrolada.

 

” -Ah, mas você está sendo muito extremista. Crises graves só acontecem em um país como a Venezuela.”

 

Não, meu caro. Acontece na Venezuela (e sugiro que assista meu vídeo acima para saber mais a respeito) mas também acontece em outro país muito mais próximo de nós: Argentina. Uma pitadinha da situação dos hermanos para você: Em Maio de 2008, 1 dólar valia 3 pesos. Hoje, 1 dólar equivale 24,35 pesos. WOW!

 

Imagine você, em uma versão argentina, com seus cabelos longos e uma camisa do Boca Juniors, todo contente ao ver seu patrimônio em dólar em 2008: ” Ah, qué maravilla! ¡Encontré mi independencia financiera! 

 

Então, apenas 10 anos depois, percebe que você não é mais independente financeiramente, vivendo em um país com graves crises inflacionárias, e que, ao tentar trocar dólares por pesos, percebe que não passa de um cidadão de classe média-baixa (em alguns casos pobre) quando comparado a sua capacidade de poder de compra em países desenvolvidos.

 

Veja de forma mais didática o que aconteceria com o seu dinheiro no gráfico abaixo. Detalhe: quanto mais sobe o gráfico, mais pobre você fica em dólares.

 

Sem título

 

“-Ah, certo. Mas a desvalorização ocorreu na Argentina e Venezuela. Mas o Brasil é resiliente, muito maior e não vai passar pelo mesmo problema!”

 

O relatório anual do banco Credit Suisse indicou que a riqueza média do brasileiro, em dólares, caiu em um terço desde 2011. Sabe qual o grande motivo? A desvalorização cambial. Segundo o relatório, entre 2000 e 2011, a riqueza média  no país saltou de US$ 8 mil para US$ 27 mil. No entanto, de 2012 até hoje, regrediu para a faixa dos US$ 18 mil.

 

Quando você faz as contas para sua independência financeira, você precisa ter em mente que o cálculo deve ser feito em dólares! Isso mesmo, em dólares meu caro. O dólar é a moeda mais líquida do planeta. Se você quiser comprar algo em Cingapura, Taiwan, Chile, Reino Unido, Rússia, Alemanha ou Burkina Faso, tenha certeza que vão dar um jeitinho de aceitar dólares. Tente fazer o mesmo com o Real Brasileiro… Você vai conseguir no máximo umas casas de câmbio do mercado negro do Paraguai.

 

Agora eu quero que você pare para pensar a respeito de tudo que já aconteceu com nossos vizinhos. Pare para pensar sobre o que atualmente acontece em nosso país nos últimos anos e nos dias atuais.  Coloque na balança o nosso histórico de imprevisibilidade, insegurança e problemas.

 

-“Mas que histórico? Não me ensinaram isso na aula de história! Só aprendi sobre Karl Marx!”

 

Calma, meu nobre. Vou fazer um pequenino resumo para você sobre nosso histórico de bons pagadores! Lembrando que não vou colocar aqui todas as 10 vezes que o Brasil já deu calote ou fez reestruturações de sua dívida, senão fica muito, muito, muuuito longo este post.

 

1829: Primeira renegociação da dívida externa brasileira, chamada de ‘empréstimo ruinoso’.

1898: O governo Campos Sales faz a primeira renegociação da dívida na era da República.

1931: Moratória brasileira é anunciada na capa do New York Times

1937: Getúlio Vargas suspende o pagamento de todos os empréstimos por três anos.

1983: O governo brasileiro informa que passará a pagar apenas os juros, não mais o principal de sua dívida externa.

1987: O governo Sarney interrompe unilateralmente o pagamento dos juros da dívida.

 

-“CHEGA! É… você tem razão. Estou começando a me preocupar sobre isso. O que devo fazer?”

 

Simples. Comece a abrir sua mentalidade que o mundo financeiro não está restrito apenas ao Brasil. Pelo contrário, nós representamos uma parte ínfima do mercado de capitais global. Não assuma as premissas que as maiores oportunidades estão aqui, porque estatisticamente falando é quase impossível que elas estejam. E levando em consideração nosso histórico, eu não arriscaria todo meu futuro e o de minha família colocando todos os ovos nesta cesta.

 

Sem título2
A esquerda, como o Mercado de Capitais Global é dividido. A direita, como o PIB Global é dividido. Qual a chance das melhores oportunidades se restringirem ao Brasil?

 

O mundo mudou e você precisa se adaptar quanto a ele. Considere a partir de já em diversificar o seu suado patrimônio em países e regiões que apresentam um histórico de segurança jurídica, econômica e financeira muito maior que o nosso.

 

Portanto, hoje é este o papo que eu gostaria de ter com vocês. Eu não vou me aprofundar na diversificação internacional pois tenho colegas aqui da Finansfera que fazem este trabalho de maneira impecável! Qualquer trabalho que eu faça a respeito específico deste tema não vai chegar a qualidade do trabalho deles. Eu pessoalmente sigo o Investidor Internacional, Viver de Dividendos, Buscando o Primeiro Milhão e Investidor Inglês.

 

E quem se interessar mais a respeito deste assunto de mudanças globais e as ferramentas necessárias para criar uma riqueza de longo prazo no século XXI, fique a vontade para conhecer meu livro na Amazon. Lá eu abordo sem blá blá blá e politicamente correto tudo o que você precisa para se adaptar a este novo mundo. Ferramentas práticas, de aplicabilidade imediata. Afinal, tempo é dinheiro e dinheiro é o que você quer para usufruir de uma independência financeira de longo prazo.

 

Já diria Charles Darwin: “Não é o mais forte e nem o mais inteligente, e sim o mais apto a se adaptar que sobrevive no longo prazo.”

 

É isso pessoal, até a próxima.

 

Clique Aqui para Conhecer o Livro

16 thoughts to “Anti Frágil – Versão Brasil: O Que Você Deve Aprender de Uma Vez Por Todas”

  1. Fala TR,

    Obrigado pela citação!

    Cara, você foi bem preciso no post de hoje. Pela manhã estava vendo um noticiário mostrando prateleiras vazias e confusão por todos os lados e me lembrei que há alguns meses vi a mesma cena só que lá na Venezuela. Interessante como as imagens eram bem parecidas. Fake news? Duvido bastante.

    Cada vez mais fico tranquilo com o patrimônio no exterior. Olho minha carteira Ibov e ela só derrete, já a carteira offshore…. varemos no fechamento de maio qual será a diferença entre elas.

    Abraço!

    1. Eu que agradeço pelo conteúdo que você disponibiliza em seu site, BPM.

      Eu também vi algumas imagens e a alusão à Venezuela foram imediatas. Nada impede que aconteça no Brasil cenas de desabastecimento e confusão como acostumamos a ver no país do Maduro.

      Pra quê correr o risco? Diversifica e vai ser feliz.

      Abração!

    1. Olha Stifler, acredito que este seja o primeiro comentário seu que eu preciso discordar. Sempre convergimos em inúmeras opiniões, mas esta vejo de forma diferente. A máquina brasileira não dificulta. É a falta de informação que acaba induzindo os investidores a acreditar que é difícil. Mas não é não. O governo não impede a saída de capitais. Basta você querer enviar dinheiro para fora e pronto. Obviamente que existem impostos – e eles são um probleminha – mas nada que impossibilite remessas internacionais. Um forte abraço meu caro!

    1. Olá Alison. É um começo. Mas quando eu falo em diversificação, isso significa você enviar seu dinheiro para outro país. Digamos que um governo expropriatório (como se viu na Venezuela) resolva confiscar seus ativos financeiros aqui no Brasil. Basta o Banco Central, a Receita Federal e a CVM informar o que você tem e pronto. Tá feito o estrago. Agora veja como é diferente o cenário, caso você tenha uma conta em uma corretora nos EUA, Europa ou Ásia. O governo pode até emitir ofícios para lá, mas será muito mais difícil te prejudicar. É por isso que os venezuelanos e argentinos que menos se prejudicaram foram aqueles que tinham capitais fora do país, de maneira direta, e não de maneira indireta como seria o IVVB11, ok?

      Um forte abraço!

  2. Olá TR,

    Parabéns pelo excelente post.
    Também conheço um venezuelano que é meu professor de espanhol (conversação). Ele tinha um bom salário como engenheiro de petróleo, mas foi o jeito sair do trabalho, pois não compensava mais. O cara virou professor pela internet e há alguns meses foi o jeito mudar com sua família para a Colômbia, pois já não dá mais para viver na Venezuela.

    Eu não invisto ainda no exterior. Minha pretensão é investir quando atingir os 500k, mas já estou pensando começar logo, pois não dá para confiar no Brasil.

    Abraços.

    1. Fala meu caro! Bom te rever por aqui, Cowboy.

      Pois é, essa cena é mais comum do que se imagina. Pessoas bem instruídas com um ótimo rendimento mensal, foram praticamente aleijadas financeiramente. E se você tem todos os ativos em um único país, isso pode acontecer e você sequer saber da onde veio a rasteira. Esses dias atrás aconteceu na Índia um decreto que simplesmente determinou que as notas mais altas teriam seu valor reduzido a zero. É isso mesmo, a zero. Da noite pro dia inúmeros indianos se suicidaram, terrível. Também aconteceu na Arábia Saudita casos de expropriação de pessoas ricas que tinham opiniões contrárias ao governo atual. Veja, existem inúmeros casos mundo afora que apenas enaltecem a necessidade de diversificação em países com maior segurança jurídica e solidez financeira. Um forte abraço meu caro!

  3. Olá meu caro,

    Excelente post como sempre! E muito obrigado pela menção… O pouco que sei tentarei compartilhar com a galera sempre!

    Não sei a razão de muitos esperarem ter um puta patrimônio em reais para só depois diversificarem com moedas fortes. Por que não começar a montar os dois em paralelo?

    Eu sigo essa linha, assim os dois lá na frente aproveitarão os juros compostos.

    Abraços!

    1. Você merece a menção, nobre Inglês. E concordo com seu pensamento. Não é necessário esperar ter um patrimônio enorme para então diversificar internacionalmente. É só ver quem fez isso na Argentina e na Venezuela. Qual foi o resultado final? Um forte abraço!

  4. Fala TR! Já vinha mantendo aportes em dólar desde o início deste ano, e agora só fiquei mais convicto de que é uma escolha acertada. Minha única dúvida é sobre onde aportar no exterior, pois percebo que os preços de muitas ações e ETFs estão próximos das máximas históricas. Talvez o potencial de upside não valha o risco nesse momento.

    Abraço, excelente blog!

    1. Fala Dono da Mascada! Primeiramente, obrigado pelo elogio. Os aportes fora do país são importantes mesmo, não apenas como diversificação de ativos mas também por diversificação de risco político/econômico/financeiro/militar. Portanto, mesmo com as ações e ETFs próximos das máximas históricas, acredito que nunca existirá ‘um momento ideal’ para aportar lá fora (exemplo: dólar barato e ações/ETFs em baixa). Até mesmo porque quando o mundo enfrenta crises econômicas, o fluxo de dinheiro é dos países emergentes para os países considerados ‘porto seguro’ e não o contrário. Desta forma, o dinheiro sai do Brasil e vai para fora, o que acaba aumentando o valor do dólar. Portanto, eu vejo que é mais realista realizar aportes regulares (mas não mensais, por conta dos custos e impostos incidentes na remessa). E caso não se sinta a vontade para comprar os ativos nesta faixa de preços altos, ao menos o dinheiro está lá, para manter um valor em caixa em moeda forte (dólar). Forte abraço, meu caro.

    1. Em minha opinião, os ETFs devem atender alguns requisitos: liquidez no mercado secundário, taxa de administração extremamente baixa, renome da instituição responsável pela gestão e o índice que ela segue.

      Tendo em vista estas 4 premissas, você vai perceber que existe muita ETF que não atende os critérios e você pode se desfazer. Poucas vão atender e são essas que você pode se concentrar para estudar. Para auxiliar a te responder sua pergunta, você mesmo precisaria saber: quero exposição geográfica global? exposição apenas a ações? a renda fixa? a REITs? Um forte abraço!

  5. cara tudo bom? é o seguinte, tenho 22 anos e atualmente ganho um salario minino, e não sei oq eu faço, penso em ser rico um dia mais parece tudo tão distante, fico min perguntando sera q compensa segui o “caminho tradicional” de fazer um curso, tava pensando em tec em informatica e depois uma facul de contabilidade, visto q essas profissões ja estão bastante banalizadas. meu objetivo era ser trader, mais eu mal comecei a operar no mercado, com pouca grana e ainda estava aprendendo, só tenho um gostinho do q é ser trader, comecei a operar no final dos meus 19 anos, quando tinha uma grana parada. agora ta meio dificil de retomar essa ideia pq eu trabalho de manhã e não tenho mais tempo de ficar de olho no mercado. e claro com a estática contra min de somente 5% ganhar de verdade nessa profissão, mais provável q eu faça parte da maioria perdedora. quero sua opilião pq não sei q caminho segui pra ter uma vida melhor de verdade. não sei se tento a carreira de trader pq na minha inocência eu sinto q pode dar certo, e o único risco q eu corro é o de ser pobre pra sempre se eu der errado, moro com meus pais e meu salario fica todo pra min inicialmente tava pensando em pegar uma moto para fugir do transporte publico, mais não sei se é a melhor opção adquirir um passivo agora e com um salario minino somente, eu tenho ambição de crescer na vida, tanto q descobrir a finansfera pelo blog do UO : http://abacusliquid.com/ e fiquei maravilhado, pra min os melhores blogs q eu vi são o seu junto com o frugal: https://frugalsimples.blogspot.com/, viver de renda: http://viverderenda.blogspot.com/, e Sr. IF365: https://www.srif365.com/, tem outros muito bons tbm, mais esses eu acesso diariamente pra ver se tem postagens novas. eu estou realmente perdido pq pra min hoje nenhum caminho parece plausível. facul parece muito esforço pra pouco retorno, ainda mais q eu tenho poucos recursos e tempo tbm pra ficar errando, tipo entrar num curso ver o não é pra min e sair. desculpa pelo texto gigante! se puder responder eu vou ficar muito feliz. obrigado. vou mandar esse texto pra esses blogs q eu curto e ver se algum deles amplia meus horizontes.

    1. Olá Wanders. Primeiramente, obrigado pela visita e, principalmente, pela participação aqui no Termos Reais. Seja sempre muito bem vindo aqui.

      Todos os seres humanos têm como objetivo – eles admitindo ou não – ter uma quantidade de dinheiro que permita uma liberdade em relação as obrigações enfrentadas pela maioria das pessoas: contas a pagar, trabalhos em empregos que não gostam, etc.

      Você, assim como muitos outros, está em uma fase de questionamentos, dúvidas e também decepções. O mundo real é bem diferente do que os professores costumavam pintar nas aulas do ensino fundamental e médio.

      Cada pessoa tem o seu nível de ambição e cada pessoa tem um objetivo diferente na vida. O seu é ser rico. Então eu vejo que, primeiramente, você precisa investir este dinheiro em você.

      Ser trader é uma ocupação que pouquíssimos vencem no longo prazo. Vejo que o dinheiro que você ganha por mês deve ser voltado para seu desenvolvimento pessoal. Livros é o foco principal. Adquira os livros nas áreas que você tem interesse. Busque se desenvolver o máximo possível.

      Em relação ao caminho tradicional do ensino superior, ele pode lhe garantir um emprego sim. Mas dificilmente vai lhe levar para o caminho da riqueza, que é exatamente o que você almeja. Empregos, em sua grande maioria, pagam o suficiente para você sobreviver. Nada além disso.

      Os blogs que você acompanha são muito bons mesmo, e assino embaixo em relação a qualidade deles. Espero que coloque o Termos Reais nesta lista agora também.

      Por fim, em resumo, canalize os seus recursos financeiros em se desenvolver pessoalmente, de acordo com as áreas de interesse e suas ambições, e não adquira passivos nesta fase da vida. Um financiamento de uma moto, veículo ou casa vai lhe impedir de ter paz e dinheiro para focar no que realmente interessa.

      Aproveite o máximo possível a estadia na casa de seus pais para focar TEMPO e DINHEIRO em seu desenvolvimento!

      Um forte abraço!

Leave a Reply